5 dúvidas sobre o bullying e o acompanhamento psicológico

Criança sofrendo bullying

1. É frequente a procura do tratamento por razões do bullying?

Não. Na verdade, poucas famílias me procuram com essa demanda tão definida. O que mais costuma acontecer é a criança chegar por indicação da escola, por apresentar comportamentos inadequados com os colegas e queda no rendimento escolar, ou por iniciativa dos próprios pais, por perceberem seus filhos mais tristes, com baixa autoestima e sem vontade de ir ao colégio. Após analisarmos o que está acontecendo, em alguns casos, descobrimos que a criança está sofrendo e/ou praticando bullying.

2. Quanto tempo costuma durar o acompanhamento psicológico às vítimas de bullying?

O que pode parecer fruto direto do bullying, muitas vezes, esconde conflitos familiares e sentimentos de inadequação diante dos colegas, da escola e até do mundo. Dessa forma, é preciso olhar para todas essas questões durante o atendimeto da criança que chega em sofrimento (tanto da vítima, quanto da que está praticando a violência). Assim, não tem como afirmar, de forma precisa, quanto tempo vai durar o acompanhamento psicológico, pois não existem “pacotes de tratamento” capazes de abarcar toda a complexidade do ser humano. Algumas crianças necessitarão de mais tempo, outras de menos. O que percebo é que os resultados positivos surgem de forma muito mais rápida quando a criança, a família, a escola e o psicólogo trabalham juntos.

3. Você considera o ambiente escolar um ambiente vulnerável para as crianças?

Considero que a nossa sociedade, preconceituosa e com tão pouca empatia pelo outro, é muito mais vulnerável para as crianças do que o ambiente escolar. Percebo que as escolas têm se esforçado para transmitir valores como respeito e amizade aos seus alunos, mas é preciso que nós, aqui do lado de fora, também pensemos sobre os exemplos que temos dado às nossas crianças, mesmo que não sejam nossos filhos.

4. Você costuma aconselhar mudança de escola nesses casos?

Não posso aconselhar mudança de escola porque não tenho como prever que em outra, ou em qual outra, o problema nunca mais aparecerá. A violência e o desrespeito pelas diferenças está presente nas escolas, nos parquinhos, dentro de casa e na nossa sociedade como um todo. Dessa forma, mudar de escola pode ser uma solução momentânea, mas o problema não está, de forma pontual, no colega que pratica o bullying, mas em como nós temos fechado os olhos para as inúmeras formas de violência que também praticamos diariamente. É claro que, se a escola não demonstrar abertura para refletir sobre alternativas para a mudança de comportamento violento, a família precisa repensar se aquele ambiente é favorável ao desenvolvimento do seu filho.

5. Quais as consequências do bullying na vida da criança?

Não tem como prever, exatamente, o que o bullying pode causar na vida da criança. Algumas podem entender que, por terem sofrido bullying, têm o direito de agir da mesma forma com o seu agressor ou com outras crianças; outras podem se tornar mais retraídas, tímidas e com dificuldades para se relacionar na escola; e existem aquelas que conseguem, a longo prazo, construir novos sentidos para o sofrimento pelo qual passou e se tornar muito mais segura de suas qualidades e do seu direito de ser respeitada pelo que é. Mais urgente que entender as possíveis consequências do bullying, é entender a origem das suas causas e o que pode ser feito para que ele não aconteça. É importante que os pais estejam sempre atentos aos sentimentos dos seus filhos e ao que eles estão tentando comunicar através de uma agressividade ou tristeza repentina. A criança precisa ter o seu direito de fala respeitado, independente de sua idade.

Francisca Juliana da Silva Barbosa – CRP: 01/17954

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